foto_pbBiografia
Nascido na cidade histórica de São João del-Rei, no interior de Minas Gerais, Carlos Calsavara teve o privilégio de experimentar, desde cedo, duas vertentes da cidade: de um lado, a liberdade e o contato com a natureza na comunidade italiana de agricultores onde cresceu, conhecida como Colônia do Marçal; de outro, o convívio com a tradição, história e arquitetura cuidadosamente desenhada no Centro Histórico, onde acompanhava os pais em festas religiosas.

Ambos os pontos do mapa sempre o encantaram e inspiraram. Um pelas raízes familiares, pelo contato com o campo e quietude que aguçavam os sentidos; outro pela técnica, pela beleza e pelo primor dos detalhes do peculiar Barroco Mineiro. Talvez por isso, ainda menino, Calsavara tenha entendido a pulsão pela arte e o sonho de vivê-la.

 


O começo

Ainda nos primeiros anos de escola, se distraía em sala de aula rabiscando em quase todas as folhas do caderno. Em casa, aperfeiçoou o hobby reproduzindo em papel icônicas capas de discos rock ‘n roll que chegavam até ele através do irmão.

Além disso, filho e neto de exímios carpinteiros, não demorou para que Calsavara arriscasse esculpir algumas figuras. A princípio, porém, não o fez em madeira. Preferiu testar habilidades e formas em pedra-sabão.

Não faltam explicações para a escolha desse material. Além de presente nas portadas de igrejas são-joanenses, ele é base fundamental para o trabalho de artistas em Coronel Xavier Chaves, município conhecido pelo artesanato em pedra e por esculturas espalhadas por quase todos os cantos. O local era destino frequente de Calsavara na companhia de um vizinho caminhoneiro que sempre o levava até lá a passeio e não hesitava em, com boa vontade, contar as novidades sobre trabalhos e técnicas desenvolvidas ali.

Com curiosidade, inspiração e informações importantes aprendidas, Carlos aceitou em 1997 sua primeira encomenda: uma imagem de São Judas Tadeu, com aproximadamente 60cm, para decorar uma pequena capela de pedra em São João del-Rei. Dali em diante, nunca mais parou de produzir, estudar e buscar aperfeiçoamento.

Da pedra-sabão o artista saltou para madeira, cerâmica e uma gama de outros materiais. Das pequenas esculturas, avançou para obras em vários tamanhos e dimensões, transitando entre duas especialidades: Sacra e Contemporânea.

 

Formação

Em 2013, Calsavara tornou-se graduado em Artes Aplicadas pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), com ênfase em cerâmica, trazendo à tona de forma mais latente suas esculturas contemporâneas. Nessa mesma vertente, participou do I Encontro Internacional de Ceramistas, promovido pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP), em 2011. No evento, aperfeiçoou técnicas em contato com artistas das Américas, da Europa e da Ásia.

Já nas Artes Sacras o artista frequentou o curso de Douramento e Policromia de José Manuel Bajo, em São Paulo. Com isso, se especializou em técnicas utilizadas no Brasil há pelo menos quatro séculos – embora sua origem seja milenar.

Todo esse aprendizado acumulado ao longo dos anos é impulsionado, ainda, por pesquisa bibliográfica constante, somada a intercâmbio informacional e técnico em uma rede de artistas brasileiros e do exterior.